
Era uma vez um lenhador que acordava todos os dias às 6 da manhã para trabalhar. Ele ficava o dia inteiro cortando lenha, e só parava tarde da noite. Esse lenhador tinha um filho lindo, de poucos anos, e uma raposa, que era sua amiga, tratada como bicho de estimação e de sua total confiança.
Todos os dias o lenhador ia trabalhar e deixava a raposa cuidando de seu filho. E todas as noites, quando ele retornava do trabalho, encontrava a raposa feliz por sua chegada.
Os vizinhos do lenhador alertavam para o perigo que era ter uma raposa em casa, dizendo que ela era um bicho selvagem e, portanto, não era confiável. O lenhador sempre retrucava com os vizinhos, dizendo que isso era uma grande bobagem. Afinal, a raposa era sua amiga, e jamais faria isso. Os vizinhos insistiam: "Lenhador, abra os olhos!" "Quando a raposa sentir fome, comerá seu filho!"
Um dia o lenhador, muito exausto do trabalho e muito cansado desses comentários, chegou em casa e viu a raposa sorrindo como sempre. Mas sua boca estava totalmente ensangüentada...
Ele suou frio e, sem pensar duas vezes, acertou o machado na cabeça da raposa.
Ao entrar no quarto, desesperado, encontrou seu filho dormindo tranqüilamente e, ao lado do berço, uma cobra morta.
O lenhador enterrou o machado junto com a raposa.
Se você confia em alguém, não importa o que os outros pensem a respeito, siga sempre seu caminho e não se deixe influenciar. Mas, principalmente, nunca tome decisões precipitadas.
Pensem nisso.
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| Crianças indianas brincam com ondas na cidade de Bombaim | |
FELICIDADE REALISTA
(Mário Quintana)
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o quejá é um pacote
louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além
de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a
comida e o cinema:
queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa
cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém
com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em
quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos
estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações
e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda
a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e
não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma
forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não, ser sinônimo de
felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances
ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo,
principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo,
gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando,
juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda,
buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé
e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e
aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem
almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o
relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o
que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é
que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com
as regras, demita-se.
Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não
se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la
e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.
Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca
inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas
não felicidade.
Recordando o passado
Um velho sábio chinês estava caminhando por um campo de neve quando viu uma mulher chorando.
"Por que choras?", perguntou ele.
"Porque me lembro do passado, da minha juventude, da beleza que via no espelho, dos homens que amei. Deus foi cruel comigo porque me deu memória. Ele sabia que eu ia sempre recordar da primavera de minha vida e chorar."
O sábio ficou contemplando o campo de neve, com o olhar fixo em determinado ponto. A certa altura, a mulher parou de chorar:
"O que estás vendo aí?", perguntou.
"Um campo de rosas", disse o sábio. "Deus foi generoso comigo porque me deu memória. Ele sabia que, no inverno, eu poderia sempre recordar a primavera e sorrir".
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